sexta-feira, 18 de março de 2011

Chuvas que atingiram o litoral também afetaram o PNSHL


Deslizamentos na Serra da Prata, parte nordeste do PNSHL, visto da Rodovia PR 508.
O grande volume de chuvas verificado no litoral paranaense na primeira quinzena de março causou transtornos e prejuízos incalculáveis à população e também sérias alterações no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange. 
Foram observados diversos pontos de escorregamento do solo em parte da Serra da Prata, principalmente na porção norte do PNSHL, onde são verificadas as maiores altitudes. Na face leste da Serra, margeada pela rodovia PR 508 (Alexandra-Matinhos), os deslizamentos se concentraram na bacia hidrográfica do rio Ribeirão (Figura 1), onde estão localizadas as captações de água que abastecem a cidade de Paranaguá. O grande volume de água nos rios e a movimentação de terra e rochas causaram danos graves às estruturas de captação e transporte de água, interrompendo o fornecimento àquele município. 
Figura 1 - bacia hidrográfica do rio Ribeirão, afetada pelos deslizamentos
Assim que foi possível avaliar a situação, os técnicos da empresa que opera o sistema solicitaram à administração do PNSHL uma autorização emergencial para realização das obras, visto que as captações estão inseridas no Parque. Considerando o caráter de urgência e o interesse público envolvido na questão, a autorização foi expedida em seguida, incluindo entre as exigências um relatório detalhado dos danos e das obras realizadas.


Parte noroeste do PNSHL, onde ocorreram inúmeros deslizamentos
Os movimentos de solo que ocorreram na serra, mesmo na presença da floresta conservada, fazem parte do processo natural de modificação do relevo. O solo absorveu gradativamente as chuvas de verão, chegando ao ponto de saturação (quando perde a capacidade de absorção) devido à alta pluviosidade do início deste mês. Segundo dados do SIMEPAR, as duas primeiras semanas de março registraram pluviosidade entre 400 e 500 mm na região de Morretes e Paranaguá, sendo que praticamente metade desse volume foi observado na sexta-feira, dia 11. 

O geólogo José Otávio Consoni, analista ambiental do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange explica que "Quando a terra perde a capacidade de absorção de água e a precipitação aumenta, há o processo de formação de enxurradas. Nestes locais (serra), o solo tem espessura pequena e está associado à declividades superiores a 45%, o que favorece os movimentos de massas (escorregamentos). Com a precipitação continua em quantidades elevadas, ocorreram os desmoronamentos - não só das áreas íngremes, mas também do sopé da montanha, deixando exposta a rocha sã. No litoral do Paraná houve uma conjunção de vários fatores, mas o principal foi o volume de água extremamente alto, ultrapassando as médias mensais."

As comunidades rurais mais atingidas pelas enchentes e deslizamentos são vizinhas ao Parque Nacional. A Defesa Civil de Morretes informou que 2.450 casas foram atingidas e, até o dia 17/03, havia apenas um óbito confirmado, 1180 pessoas desabrigadas, 800 desalojadas e 145 em abrigos, número que deverá aumentar, pois foi iniciada a evacuação dos moradores de áreas remotas que estão sob risco. Em Paranaguá foram atingidas 75 casas, deixando 15 desabrigados, 280 desalojados e 135 pessoas em abrigos.

Rogério Florenzano Júnior, chefe do PNSHL, ressalta a importância da área protegida: “Apesar das perdas materiais, o número de vítimas fatais foi mínimo, pois não havia ocupação nas encostas. A presença da mata garantiu que uma grande quantidade de água fosse absorvida lentamente, retardando os deslizamentos. Provavelmente, sem a vegetação nativa, os estragos teriam sido muito maiores”.
A equipe do PNSHL iniciou, por terra, o levantamento da situação do Parque e das comunidades vizinhas, e fará um sobrevôo ainda esta semana, para poder observar melhor os locais afetados e acessar áreas isoladas.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Rebio das Perobas comemora cinco anos com inauguração da sede

A Reserva Biológica das Perobas, situada nos municípios de Tuneiras do Oeste e Cianorte, no Paraná, realizará uma série de eventos entre os dias 22 e 26 de março para comemorar o seu quinto aniversário. No dia 22, será inaugurada a sede da reserva e lançado o documentário “Uma ilha no noroeste.” Para os dias seguintes, estão programadas visitas técnicas de autoridades, apresentação de projetos ambientais relacionados com a proteção e uso da Reserva, lançamento do programa de rádio “Nas ondas do ambiente” e do concurso “Mascote da REBIO.”

A Rebio das Perobas foi criada em 20 de maio de 2006. Tem o objetivo de preservar a biodiversidade da região e minimizar o risco de extinção das espécies nativas. A programação completa dos eventos em comemoração aos cinco anos da Rebio das Perobas pode ser conferida no endereço: http://conselhoperobas.blogspot.com/2011/02/eventos-comemorativos-dos-5-anos-da.html

Fonte: ASCOM/ICMBio

quinta-feira, 3 de março de 2011

Curtas

Sanepar e PNSHL fazem vistoria conjunta nas captações de água em Matinhos

A água que abastece Matinhos e Pontal do Paraná é captada pela SANEPAR em rios que nascem no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, sendo que a maioria das instalações de captação está localizada no interior da área protegida. Para garantir o fornecimento ininerrupto de água de qualidade à população, os reservatórios e tubulações devem passar por vistorias e manutenções constantes, que requerem que os funcinários da companhia de abastecimento entrem no Parque e, eventualmente, realizem a roçada da vegetação e obras de pequeno porte.
Com o objetivo de garantir que estas necessidades sejam atendidas sem prejudicar o ambiente, técnicos do PNSHL e da SANEPAR iniciaram na última segunda feira (28/02) uma série de vistorias nos pontos de captação. O objetivo é identificar os pontos de fragilidade nas trilhas e efetuar as medidas necessárias para a correção e prevenção de problemas. Foram visitadas as captações do Indaial e do Sertãozinho, restando ainda aquelas localizadas no Tabuleiro e no Cambará, cujas vistorias foram impossibilitadas pelas chuvas dos dias seguintes.
Após o término das vistorias, a empresa deverá elaborar pequenos projetos de adequação dos acessos e propostas de manutenção, que serão analisados pela administração do Parque para emissão da Autorização Ambiental.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ICMBio tem segunda maior arrecadação desde sua criação

O Instituto Chico Mendes teve no mês de janeiro deste ano a segunda maior arrecadação mensal desde sua criação, em 2007. As receitas no primeiro mês de 2011 somaram R$ 4,8 milhões, sendo 71% dos recursos oriundos da visitação aos parques nacionais abertos ao público com cobrança de ingresso. O restante refere-se aos arrendamentos e licenciamentos/autorizações.

O ICMBio começou a contabilizar suas receitas no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal - Siafi em fevereiro de 2008. De lá para cá, a arrecadação cresceu 92%. Os números refletem especialmente o aumento da visitação com ingressos pagos e a atualização dos preços estabelecida pela Portaria nº 366 de outubro de 2009. Para o coordenador de Arrecadação, Nelson Sant’Anna, outros fatores também contribuíram para o resultado, como o acréscimo nas receitas de licenciamento/autorização em virtude da melhoria na infraestrutura com contratação de servidores públicos para as unidades de conservação. “E a arrecadação pode crescer ainda mais visto que estamos em negociação para o repasse integral dos recursos decorrentes de arrendamento nos parques nacionais da Tijuca e do Iguaçu, junto à Secretaria de Patrimônio da União - SPU, e a perspectiva de incremento na receita da produção vegetal com a implementação do Programa de Exploração Florestal”, destaca Sant’Anna. A maior arrecadação do Instituto ocorreu em novembro de 2009, quando foram concedidas autorizações para supressão de vegetação às mineradoras Rio do Norte e Companhia Vale do Rio Doce. Naquele mês a receita fechou em R$ 11,36 milhões.

Fonte: ASCOM/ICMBio

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Projeto Carnívoros do Iguaçu recebe prêmio ambiental

O Parque Nacional do Iguaçu conquistou o 18º Prêmio Expressão de Ecologia na categoria Conservação da Vida Silvestre, com o Projeto Carnívoros do Iguaçu. Criado logo após a Conferência da ONU para o Meio Ambiente, a Rio 92, o Prêmio Expressão de Ecologia contou, em sua edição de 2010, com a participação de 153 casos. Seu rigoroso corpo de jurados é composto por biólogos, engenheiros florestais, consultores e doutores na área ambiental, profissionais de entidades e ONGs dos três estados do Sul. Os casos vencedores, além de ser destacados no Anuário Expressão de Sustentabilidade, que circulará em junho, receberão o troféu Onda Verde no Fórum de Gestão Sustentável, que acontecerá em julho. Mais detalhes sobre o prêmio estão no endereço www.expressao.com.br/ecologia/conteudos/cases2010.

Criado em outubro de 2008 o atual projeto Carnívoros do Iguaçu visa estudar a população de onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu e seu entorno. Trata-se de um estudo detalhado do estado de conservação in situ da população de onças-pintadas (Panthera onca) na região oeste do Paraná, abordando questões de ecologia, biologia e genética das espécies, a educação ambiental, a conservação da paisagem do entorno do parque e a intermediação de conflitos entre populações residentes no entorno e ataques de onças a rebanhos domésticos. O projeto é executado por quatro funcionários, sendo dois técnicos de nível superior e dois assistentes de campo, além de consultoria e apoio científico de profissionais com grande experiência na área.

Dados sobre a espécie estão sendo obtidos com o uso de armadilhas fotográficas, monitoramento por rádio-colar de espécimes capturados e acompanhamento dos casos de predação e pela coleta de amostras de fezes para análises de dieta e genética. A primeira estimativa populacional da espécie realizada com 72 armadilhas fotográficas mostrou dados preocupantes: a presença de apenas 6 a 12 indivíduos em todo o parque. Dessa forma, o estudo da população de onça-pintada, tal como previsto, gera informações valiosas para as estratégias de manejo da unidade, bem como para a proteção da última população viável de onças do sul do país.

Fonte: ASCOM/ICMBio

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Curtas

ICMBio integra o Comitê da Bacia Litorânea do Paraná

Em solenidade realizada ontem (14) no Camboa Resort Hotel, em Paranaguá, tomaram posse os representantes das instituições que compõem a Mesa Diretora Provisória do Comitê da Bacia Litorânea, instituído em dezembro de 2010 pela Resolução n° 64 do Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Paraná.
A bacia litorânea abrange doze municípios e é a sétima bacia hidrográfica paranaense a ter um comitê gestor legalmente instituído. A criação dos comitês atende a um dos fundamentos da Política Estadual de Recursos Hídricos que preconiza que a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades. A composição da mesa provisória recém empossada divide-se em três grupos:

I - três representantes do poder público, sendo a Prefeitura de Paranaguá pela esfera municipal, o Instituto das Águas do Paraná  no âmbito estadual e o ICMBio como órgão federal;
II - três representantes dos usuários dos recursos hídricos: SANEPAR, CAB Águas de Paranaguá e COPEL; e
III - três representantes da sociedade civil: UFPR-Setor Litoral; Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFET).

O representante do ICMBio é o chefe do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, Rogério José Florenzano Júnior, que ressalta que: "A participação do ICMBio no Comitê  reveste-se de grande importância, devido às Unidades de Conservação federais serem o manancial de grande parte da população do litoral. As captações de água ou as nascentes dos rios que abastecem Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos e parte de Guaratuba e Guaraqueçaba estão inseridas respectivamente, no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange e na APA Federal de Guaraqueçaba."

A principal atribuição da Mesa Diretora Provisória será definir a composição do Comitê da Bacia Litorânea em um prazo máximo de seis meses.

Para saber sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos e os Comitês, acesse a página do Instituto das Águas do Paraná.

Equipe do PNSHL finaliza o planejamento de atividades para 2011

No período de sete a onze de fevereiro, a equipe do PNSHL esteve envolvida em intensa atividade de campo e de planejamento das ações  2011. No início da semana foram percorridas trilhas internas e grande parte do perímetro da Unidade de Conservação utilizando as estradas vicinais que se aproximam do Parque e a Estrada da Limeira, que permite o acesso à porção oeste. O objetivo principal foi obter subsídios para elaboração Termo de Referência do Plano de Manejo, porém, a atividade serviu como um reconhecimento de campo que atualizou as informações sobre os pontos fortes e as fragilidades da área e forneceu elementos para o estabelecimento de prioridades e planejamento da gestão como um todo. Os caminhos percorridos foram mapeados e serão incluídos em um Sistema de Informações Georreferenciadas (SIG) que será desenvolvido para o Parque. Entretanto, desde já as informações auxiliarão os gestores nos trabalhos de monitoramento e fiscalização. Pessoa chave nessas vistorias foi o servidor Luiz Francisco Faraco, chefe anterior do Parque, que auxiliou a equipe atual na identificação de antigos acessos e procurou repassar sua experiência como gestor.
O grupo também visitou atrativos turísticos existentes no interior do Parque e em seu entorno, alguns deles frequentados por moradores da região e turistas, constatando a grande diversidade de locais com potencial para visitação turística, recreação e educação ambiental, o que reforça a vocação da área para Parque Nacional. Durante a elaboração do Plano de Manejo, as áreas propícias para visitação serão identificadas e classificadas com base em determinados critérios como o tipo de atrativo, facilidade de acesso, grau de fragilidade, entre outros. Com base nesse mapeamento será proposto um programa de uso público, que indicará a infraestrutura necessária em cada local.

Após a atividade de campo, o grupo revisou as informações coletadas e identificou as peculiaridades de cada região do Parque, etapa essencial para a atividade de sexta feira: o planejamento das ações e temas prioritários para 2011. Nessa tarefa, a equipe contou com a ajuda de Guadalupe Vivekananda, servidora do Parque Nacional do Superagui que atuou como moderadora dos trabalhos e organizou as contribuições de forma sistemática. Foram identificadas nove metas para gestão da Unidade de Conservação em 2011, algumas delas de caráter permanente, como a proteção da área e o incentivo às pesquisas científicas, outras de longa duração, como a elaboração do Plano de Manejo e a regularização fundiária e ainda aquelas que deverão se encerrar ao final do ano, como a comemoração do 10° aniversário do Parque. Para cumprir esse planejamento, a equipe atual conta com quatro analistas ambientais do ICMBio, com formações em diferentes áreas, e duas alunas do curso de Gestão Ambiental da UFPR-Litoral, sendo uma na função de apoio administrativo e outra como estagiária.